domingo, 16 de outubro de 2011

Paraíba masculina/ Mulher macho sim senhor




Século XX, primeiras décadas. A Paraíba se encontra como outros estados da jovem república, receosa com a modernidade, a “nova era”. Na década de 20 começa-se a sentir os sabores do que se vivia. Mas como a mulher sentia e viva esta fase? O discurso da imprensa pretende nos revelar através de suas pegadas por “cidades disciplinar” e “cidades hermafroditas”.
As mulheres ao caminhar entre quarteirões, ruas, mercados elabora imagens a fim de compor o citadino, as “cidades visíveis, cidades sensíveis, cidades imaginárias”. Cidades cartografa com novas faces pela imprensa. Jornais que evidenciam a mudança dos tempo, anunciam o novo, vibram com algumas mudanças. Ora, o jornalista Aghemar Vidal vai falar da cidade “hoje iluminada á electricidade”, ressalta a passagem dos tempos, ‘não de um século só, mas de vários” slogan confirmado pelo “Seculo das Luzes e Progresso... Duzentos automóveis movimenta as ruas da cidade”. Mudanças que ocorriam constantemente “que surgia uma nova praça, que uma antiga rua mudava de curso e de nome, que uma loja incrementava seu estoque com artigos importados” (Silva, 2000).
O moderno não está posto e dado, vai se configurando aos poucos. Em meio as novas arquiteturas o passado se presentifica não somente através das elmbrnaças de construções “antigas”. Um passeio pelas áreas menos abastardas da conta dessa estética que preocupava os elaboradores do discurso modernizador. Os costumes da população poderia causar uma má impressão no estrangeiro, pessoas andam de pés descalços, devido muito mais ao “desleixo” do povo do que a falta de condições para a compra de calçados. Tradicional e moderno embora não caminhassem de mãos dadas pareciam não se separar.
Com os hábitos das mulheres o tradicional parecia resistir ante o moderno. Se as missas domingueiras era agenda certa para as senhoras, outras e parte dessas passeavam pelas ruas, trabalhavam nesses espaços, se dirigiam aos cursos de datilografia e para a Escola Normal. Horácio de Almeida se mostra contra em coluna de jornal, os costumes estariam sendo solapados pelo “aniquilamento moral” e desaguaria no “ignominioso e abominável hermafroditismo social”. O caráter do másculo poderia ser posto em questão com a provável emancipação da mulher.
Nas ruas elas se encontravam e caminhavam como personagens citadinas. A moda as aproximava. Se mulher da vida ou do lar ressaltam seus corpos, parte superior dos seios com a justeza dos decotes. Desafiavam os vários discursos machistas que postulam o “outro sexo não terá nunca a egualdade sonhada por muitos”. A educação de homem e mulher deve ser diferente, à segunda compete a educação doméstica, portanto, conforme ocorria nas escolas rio-grandenses, o cuidar da dispensa, da cozinha, do jardim, da lavanderia, da higiene, da medicina, maternidade, amamentação.

Consulte: Silva, Alômia Abrantes da. Os gêneros da cidade. In: As escritas femininas e os femininos inscritos: Imagens das mulheres na Imprensa Parahybna dos anos 20. Dissertação de mestrado, UFPE, 2000.


Vídeos:
Há uma produção de Yamasaki conhecida por "Paraíba Mulher Macho" que retrata a vida de Anaíde Beiriz e os acontecimento políticos na Paraíba que viria desaguar na Revolução de 1930.   Os interessados em baixar:  http://www.monova.org/torrent/3054835/Parahyba_Mulher_Macho_MKO.html 
O processo de modernização ocorreu na grande maioria do país sendo no Rio de Janeiro com maior intensidade.
História em movimento:

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