domingo, 16 de outubro de 2011

As pegadas do moderno no Brasil.





No texto de Elias Thomas Saliba, “A dimensão cômica da vida privada na República”, ele traz a falta de sentido da vida privada, no início da República. Então ele faz uma leitura da vida privada brasileira por meio dos registros cômicos, esses sendo tomados como forma de representação e de mediação da vida privada no fluxo temporal da história brasileira. Assim, nos é trazido a face, alguns efeitos da República combinada com a revolução tecnológica, nos brasileiros, que passam a ter desprezo e repúdio pelo passado, além do desejo de superar, “os problemas sociais e culturais de distância”, um desejo de um novo ritmo de vida no Brasil.
Então Saliba, apresenta uma crônica de Machado de Assis, que expunha o maior obstáculo à visibilidade da vida privada do brasileiro no início da República, que seria a sobreposição de dois ritmos temporais diversos: um que vinha do peso da tradição e outro que vinha trazido pela revolução tecnológica.
Nisso observamos uma questão que seria um dilema coletivo, saber o que era ser brasileiro naquela sociedade cosmopolita e provinciana, moderna e antiquada, liberal e oligárquica. Assim o cômico se apresenta como forma de descrever essa experiência da sobreposição de tempos, servindo não apenas para apresentar a República, mas para representar as condições de possibilidade das vivências e das sociabilidades cotidianas no país. E além da dificuldade de definir o cidadão brasileiro, se tem ainda, a dificuldade de se definir uma identidade nacional.
Dentro disso a imprensa criticava a irrealidade do cidadão que a República queria criar, onde o indivíduo seria educado e civilizado com aspectos europeus, algo que não fazia parte da realidade da população da época. Além de mostrar ainda como o privado, acabava por se confundir com o público.
Então, o autor conclui com o seguinte: “Relembrando sua humanidade efêmera  por trás de voláteis formas sociais, esse humor não lhes daria também, como se sabe, nenhum traço de identidade, mas ao que parece, ajuda a soldar os brasileiros ao tempo, possibilitando-lhes, se não um porto seguro, pelo menos algumas ilhas de sobrevivência. Ilhas onde, afinal, predominava aquela ética de fundo emotivo – e onde a solução era rir -,  talvez a fórmula brasileira para manter a esperança e afugentar a morte.

Consulte: Saliba, Elias Thomé. A dimensão cômica da vida da vida privada na República. In: Novais, Fernando A. e Sevecnko, Nicolau. História da vida privada no Brasil volume 3. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
O início od século XX no Brasil em imagens. Comprove!

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