pinceladas na nova era.
sábado, 22 de outubro de 2011
Apresentação.
Olá. Estamos aqui para divulgar este blog que nasce de uma atividade na disciplina de Brasil iii no curso de História da UFCG, ministrado pelo professor Iranilson Buriti. Nosso objetivo, Paulo e Rafaela, foi fazer um blog interessante para você internauta curioso. Internauta que não seja especificamente historiador em ou de formação. Este espaço se destina a prosear com você independente da sua área de conhecimento. Seja um médico, seja um estudante para o Enem, seja um internauta desavisado que chega aqui meio ao acaso e se depara com um passeio pelo Brasil do início do século passado. Venha conosco! Trata-se de uma viagem interessante. Ela nos prende e nos permite pensar, valendo-nos da expresssão do historiador Durval Muniz, que devemos continuar amando a história não pelas certezas que nos traz, mas pelas dúvidas que nos revela. Para isso, escolhemos quatro textos e procuramos fazer deles um relato gostoso daqueles tempo. Logo abaixo de cada um deles você encontra uma seção temática que pode ser em forma de vídeo, música ou livros. Muito obrigado. Let's go!
domingo, 16 de outubro de 2011
Paraíba masculina/ Mulher macho sim senhor
Século XX, primeiras décadas. A Paraíba se encontra como outros estados da jovem república, receosa com a modernidade, a “nova era”. Na década de 20 começa-se a sentir os sabores do que se vivia. Mas como a mulher sentia e viva esta fase? O discurso da imprensa pretende nos revelar através de suas pegadas por “cidades disciplinar” e “cidades hermafroditas”.
As mulheres ao caminhar entre quarteirões, ruas, mercados elabora imagens a fim de compor o citadino, as “cidades visíveis, cidades sensíveis, cidades imaginárias”. Cidades cartografa com novas faces pela imprensa. Jornais que evidenciam a mudança dos tempo, anunciam o novo, vibram com algumas mudanças. Ora, o jornalista Aghemar Vidal vai falar da cidade “hoje iluminada á electricidade”, ressalta a passagem dos tempos, ‘não de um século só, mas de vários” slogan confirmado pelo “Seculo das Luzes e Progresso... Duzentos automóveis movimenta as ruas da cidade”. Mudanças que ocorriam constantemente “que surgia uma nova praça, que uma antiga rua mudava de curso e de nome, que uma loja incrementava seu estoque com artigos importados” (Silva, 2000).
O moderno não está posto e dado, vai se configurando aos poucos. Em meio as novas arquiteturas o passado se presentifica não somente através das elmbrnaças de construções “antigas”. Um passeio pelas áreas menos abastardas da conta dessa estética que preocupava os elaboradores do discurso modernizador. Os costumes da população poderia causar uma má impressão no estrangeiro, pessoas andam de pés descalços, devido muito mais ao “desleixo” do povo do que a falta de condições para a compra de calçados. Tradicional e moderno embora não caminhassem de mãos dadas pareciam não se separar.
Com os hábitos das mulheres o tradicional parecia resistir ante o moderno. Se as missas domingueiras era agenda certa para as senhoras, outras e parte dessas passeavam pelas ruas, trabalhavam nesses espaços, se dirigiam aos cursos de datilografia e para a Escola Normal. Horácio de Almeida se mostra contra em coluna de jornal, os costumes estariam sendo solapados pelo “aniquilamento moral” e desaguaria no “ignominioso e abominável hermafroditismo social”. O caráter do másculo poderia ser posto em questão com a provável emancipação da mulher.
Nas ruas elas se encontravam e caminhavam como personagens citadinas. A moda as aproximava. Se mulher da vida ou do lar ressaltam seus corpos, parte superior dos seios com a justeza dos decotes. Desafiavam os vários discursos machistas que postulam o “outro sexo não terá nunca a egualdade sonhada por muitos”. A educação de homem e mulher deve ser diferente, à segunda compete a educação doméstica, portanto, conforme ocorria nas escolas rio-grandenses, o cuidar da dispensa, da cozinha, do jardim, da lavanderia, da higiene, da medicina, maternidade, amamentação.
Consulte: Silva, Alômia Abrantes da. Os gêneros da cidade. In: As escritas femininas e os femininos inscritos: Imagens das mulheres na Imprensa Parahybna dos anos 20. Dissertação de mestrado, UFPE, 2000.
Consulte: Silva, Alômia Abrantes da. Os gêneros da cidade. In: As escritas femininas e os femininos inscritos: Imagens das mulheres na Imprensa Parahybna dos anos 20. Dissertação de mestrado, UFPE, 2000.
Vídeos:
Há uma produção de Yamasaki conhecida por "Paraíba Mulher Macho" que retrata a vida de Anaíde Beiriz e os acontecimento políticos na Paraíba que viria desaguar na Revolução de 1930. Os interessados em baixar: http://www.monova.org/torrent/3054835/Parahyba_Mulher_Macho_MKO.html
O processo de modernização ocorreu na grande maioria do país sendo no Rio de Janeiro com maior intensidade.
História em movimento:
Amélias na cidade/ Amélias na vida.
À época do Brasil primeira república dois espaços, dentre vários outros, disputaram lugar, o cabaré e o lar. O primeiro era o ambiente da libertinagem, do sujo, do contagioso, do libidinoso, de tudo aquilo que deve-se evitar. O segundo é o cenário do harmonioso, do limpo, da felicidade, da família, do progresso. Cenário onde a mulher e a criança parecem ser os grandes protagonistas. Quando as cortinas da história se abrem eles entram no palco. Primeiro Ato: A esposa-dona-de-casa-mãe-de-família educa o reizinho da família.
Há um modelo imaginário de família criado pela sociedade burguesa. Hábitos moralizados. Nada de práticas promíscuas favorecendo um certo perigo à população. Costumes regrados está na ordem do dia. Nas fábricas o operário era “adestrado” no novo modelo de organização familiar que se estendia para o espaço fabril. O modelo de fábrica satânica, importado da Londres dos oitocentos não era mais bem vindo. O espaço de produção é a Grande Família alusivo aos processos de domesticação da família operária onde, por exemplo, a saúde no trabalho deve ser de fundamental importância, caso contrário mexe com a produção.
As transformações no comportamento feminino se fazia presente na família, como já dito. Esta mulher, que numa distinção de classe estaria mais para a classe média e classe média alta, zelava a casa, cumpria, na maioria das vezes, as ordens dos maridos e nutria uma preocupação toda especial com a infância, a riqueza da nação. Isto é, a mulher seria um relógio na captura de horários dos membros da família, se ater a todos os pequenos fatos do dia-a-dia, atentar com afinco aos sinais de doenças. Frente a tal noção, a mulher passa a não ter uma função intelectual, profissional e especialmente política. Ela só existe quando garante a existência dos filhos. Esta valorização atribuída a mulher foi fruto da atribuição, por parte do poder médico, de construí-la enquanto a “guardiã do lar” por causa da missão sagrada da amamentação, uma vocação natural. O espçao do trabalho poderia ser o palco do desvio. Todavia, ante várias privações, várias vozes levantara-se defendendo os direitos da mulher, persuadindo-a de sua autonomia tomando por pressupostos: direitor ao amor livre, igualdade de direito entre os sexos, maternidade voluntária, liberdade. Direito a novos hábitos, novas práticas. As mulheres brasileiras passam a fumar, costume herdado da dos salões parisieneses em especial.
A abnegada, a mulher-passividade, a submissa, a sombra do homem passam a ser rótulos aos quais mulheres se revoltam. Pretende a emancipação da mulher de todas as classes sociais. O modelo de mulher esposa-dona-de-casa-mãe-de-família passa a ter um oposto, a figura feminina marcada pela luta de transformação da vida cotidiana. Emerge também uma educação que se oporia as classes dominates, bem como ao poder da igreja e do estado. Vide, por exemplo, um discurso da primeira concluinte de uma turma do Curso Comercial do Colégio de Nossa Senhora das Neve no qual ressalta-se “um novo horizonte aberto às conquistas da mulher” por isso “a missão da mulher não devia está descrita somente ao lar ou ao professorado”. Percebe-se a existência de uma profissionalização para a mulher no campo da escola além de sua função materna.
A cidade que muda ressignificando aquilo que já existia e assistindo a novas subjetividades. Para muitas delas, motivo de conquistas e lutas por direitos. Para os mais conservadores da cidade a ameaça deste sexo. Elas não são mais iguais, possuem sonhos, desejos, vontades próprios e particulares em meio a imposição do masculino receosos com a família, com os laços matrimoninais, com o futuro da nação, com os bons costumes. Se houve um nova era isso se deu por um novo modelo de mulher que conquistava uns e desencantava outros, alguns destes mergulhados numa nostalgia das mulheres que “tudo o que você vê, você quer/ Ai, meu deus, que saudade da Amélia (...) Amélia não tinha a menos vaidade/ Amélia é que era mulher de verdade”, parafraseando a letra de Ataulfo Alves.
Consulte: Rago, Luzia Margareth. Do cabaré ao lar: a utopia da cidade disciplinar (1989-1930). São Paulo: Paz e Terra, 1985.
Consulte: Rago, Luzia Margareth. Do cabaré ao lar: a utopia da cidade disciplinar (1989-1930). São Paulo: Paz e Terra, 1985.
Caso você tenha interesse em imagens na história nçao deixe de acessar e se divertir em:
Para os interessados em estudar mais o assunto veja o livro História do Amor no Brasil da historiadora Mary del Priore. Disponível em:
ou ainda História das Crianças no Brasil da mesma autora
As pegadas do moderno no Brasil.
No texto de Elias Thomas Saliba, “A dimensão cômica da vida privada na República”, ele traz a falta de sentido da vida privada, no início da República. Então ele faz uma leitura da vida privada brasileira por meio dos registros cômicos, esses sendo tomados como forma de representação e de mediação da vida privada no fluxo temporal da história brasileira. Assim, nos é trazido a face, alguns efeitos da República combinada com a revolução tecnológica, nos brasileiros, que passam a ter desprezo e repúdio pelo passado, além do desejo de superar, “os problemas sociais e culturais de distância”, um desejo de um novo ritmo de vida no Brasil.
Então Saliba, apresenta uma crônica de Machado de Assis, que expunha o maior obstáculo à visibilidade da vida privada do brasileiro no início da República, que seria a sobreposição de dois ritmos temporais diversos: um que vinha do peso da tradição e outro que vinha trazido pela revolução tecnológica.
Nisso observamos uma questão que seria um dilema coletivo, saber o que era ser brasileiro naquela sociedade cosmopolita e provinciana, moderna e antiquada, liberal e oligárquica. Assim o cômico se apresenta como forma de descrever essa experiência da sobreposição de tempos, servindo não apenas para apresentar a República, mas para representar as condições de possibilidade das vivências e das sociabilidades cotidianas no país. E além da dificuldade de definir o cidadão brasileiro, se tem ainda, a dificuldade de se definir uma identidade nacional.
Dentro disso a imprensa criticava a irrealidade do cidadão que a República queria criar, onde o indivíduo seria educado e civilizado com aspectos europeus, algo que não fazia parte da realidade da população da época. Além de mostrar ainda como o privado, acabava por se confundir com o público.
Então, o autor conclui com o seguinte: “Relembrando sua humanidade efêmera por trás de voláteis formas sociais, esse humor não lhes daria também, como se sabe, nenhum traço de identidade, mas ao que parece, ajuda a soldar os brasileiros ao tempo, possibilitando-lhes, se não um porto seguro, pelo menos algumas ilhas de sobrevivência. Ilhas onde, afinal, predominava aquela ética de fundo emotivo – e onde a solução era rir -, talvez a fórmula brasileira para manter a esperança e afugentar a morte.
Consulte: Saliba, Elias Thomé. A dimensão cômica da vida da vida privada na República. In: Novais, Fernando A. e Sevecnko, Nicolau. História da vida privada no Brasil volume 3. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
O início od século XX no Brasil em imagens. Comprove!Consulte: Saliba, Elias Thomé. A dimensão cômica da vida da vida privada na República. In: Novais, Fernando A. e Sevecnko, Nicolau. História da vida privada no Brasil volume 3. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Tem até arte de couro e retalho/ Pra enfeitar os cabras nesse méi de mundo.
Consulte: OLIVEIRA, Iranilson Buriti de. Artes de curar e modos de viver na geografia do cangaço. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.18, n.3, jul.-set. 2011.
O artigo, “Artes de curar e modos de viver na geografia do cangaço”, de autoria de Iranilson Buriti de Oliveira, traz como temporalidade, os fins do século XIX e início do XX, na região do Brasil que hoje conhecemos como Nordeste. Em meio a isso, ele apresenta a figura do cangaceiro, como foco da discussão, mas não aquele do lugar marxista, onde o cangaceiro é apresentado como herói ou bandido, e sim do lugar de um historiador da terceira margem “fruto das atividades de purificação, de racionalização, de construção humana e social de objetos e de sujeitos como entidades separadas que vêm se encontrar, se misturar no fluxo, no turbilhonar das ações e práticas humanas” (Albuquerque Júnior, 2007, p.26). Sendo assim, o cangaceiro tratado, é aquele que não permanece passivo diante dos mandos dos ricos, aquele que é marcado por peixeiras, por cactos, xiquexiques, macambiras, enfim, um corpo marcado para a morte, mas que usa de conhecimentos populares, como mezinhas, benzeduras, chás, infusões, lambedores, dentre outros para permanecer na vida.
Assim, o autor analisa a saúde e a doença dentro da realidade do cangaceiro, nos apresentando, então, esses mestres e artesãos de táticas de sobrevivência, que dialogam entre magia e medicina, entre religião e feitiçaria, entre esculápio, Jesus Cristo, etc. O que importa para o autor, é investigar a sabedoria popular, o saber ilegítimo para os médicos, o conhecimento que faz do cangaceiro uma vida possuidora de outras práticas de viver, de burlar códigos médicos, de driblar situações de desespero diante da dor e perante a morte. E aqui temos como analisou Maria Isaura Pereira de Queiros (1991, cf. Lucena, Gouveia Júnior, 2001, p.4), o cangaceiro que na dor também recorre a magia e superstições, amuletos e rezas fortes, servindo-se algumas vezes de rezadeiras, beatos e fanáticos para ajudarem no ato de curar.
E então observamos como a simples presença de Maria Bonita, no grupo de Lampião, aquela que foi provavelmente a primeira mulher no a fazer parte de um grupo de cangaceiros, já incorpora ao grupo uma serie de novas questões como a menstruação, a gestação e o parto, além da possibilidade de outras mulheres poderem estar, também, presentes no grupo. Continuando nessa temática da gestação, observamos como, era enorme a mortalidade de mães e ou filhos, assistência. Outro aspecto que se pode perceber é como as circunstâncias, muitas vezes definiam como os cangaceiros se alimentavam, pois nas perseguições, tendiam a se alimentarem as pressas e sem nenhuma higiene, enquanto que em momentos de calma podiam ter uma alimentação bem mais calma e farta.
Após observar estes e outros aspectos do cotidiano dos cangaceiros, como a doença mais temida dentre os cangaceiros, que foi o tétano, o autor percebe como essas táticas de homens e mulheres mostra como o cangaço tem outras histórias, outras memórias, outras linguagens e subjetividades. Como lhes foi possível construir táticas de viver para não morrer. E “Tem até arte de couro e retalho/ Pra enfeitar os cabras nesse méi de mundo”, valendo-nos da canção de Cabroeira, enfeitar com a cura, pode-se dizer..
Para saber mais sobre o cangaço veja as composições abaixo:
O que diria a filha do rei do Cangaço, Lampião, sobre o seu pai? Confira
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